Resistência parasitária e seu impacto na saúde animal

Enfermidades causadas por parasitos possuem grande importância na saúde animal, tanto para pets quanto para animais de fazenda, por causarem grande desconforto para o indivíduo ou até doenças graves que podem levar à morte. Dentre os parasitos causadores destas enfermidades, temos os endoparasitos, que habitam normalmente o trato gastrintestinal dos animais, e os ectoparasitos, como carrapatos, bernes, bicheiras, pulgas, moscas e piolhos, alguns com importância clínica por si só, outros transmissores de doenças importantes (como o carrapato).

Com isso, é comum a adoção de um tratamento contínuo dos parasitos com o objetivo de “prevenir” o impacto das doenças, especialmente na produção animal. O grande problema desta prática é que os antiparasitários foram feitos para tratar os animais doentes, e seu uso como preventivo ameaça sua própria eficácia, levando a um quadro de resistência parasitária.


Como funciona a resistência parasitária?

Em fazendas de ovinos, por exemplo, se tem uma preocupação muito grande com a hemoncose, doença grave causada pelo parasito Haemonchus contortus, o que gerou o costume de realizar tratamentos mensais de todo o rebanho: e é aí que mora o perigo. Quando tratamos todo o rebanho de forma indiscriminada, não estamos tratando somente os animais que estão parasitados ou que estão doentes, estamos tratando animais saudáveis também. E dentre os saudáveis, alguns possuem parasitos, mas não desenvolvem a doença clínica, ou seja, são resilientes. Ao tratar estes animais, estamos matando a população sensível ao medicamento e “sobram” os parasitos para os quais o medicamento não tem efeito, ou seja, os resistentes. Agora imagine isso sendo feito todo mês em todas as ovelhas de um rebanho de 100 ovelhas. É muito parasito sendo selecionado, não é mesmo?

Chega um momento em que o antiparasitário utilizado para de funcionar, evidenciando a resistência parasitária. O grande problema é que isso vai acontecendo com todas as classes de antiparasitários, ou seja, em breve não teremos mais produtos eficazes no mercado. E aí vem a pergunta: sem produtos que funcionem, como vamos tratar os animais doentes? Exatamente. Não teremos mais como tratar as parasitoses.

Se eu não vou fazer aplicações contínuas de antiparasitários, como vou prevenir estas doenças nos meus animais?

Como dito anteriormente, os antiparasitários nunca deveriam ter sido usados como prevenção. A prevenção das parasitoses pode ser feita com realização de exames de fezes, tratamento seletivo dos animais, manejo correto de pasto, rotação de pastagem, integrações lavoura-pecuária, higiene ambiental, fornecimento de água limpa aos animais, dentre muitas outras práticas de manejo que permitem o controle da população de parasitos.


Exame coproparasitológico e tratamento seletivo

O exame coproparasitológico, ou seja, exame de fezes, é uma técnica feita em laboratório com o objetivo de diagnosticar parasitoses e definir a quantidade de ovos que está sendo liberada nas fezes de cada animal. O uso desta ferramenta aliada a uma avaliação clínica permite que seja feito um tratamento seletivo somente dos animais que estão doentes, o que reduz a pressão de seleção nos parasitos e retarda a resistência aos medicamentos.

Outro benefício de realizar o tratamento seletivo, é que isto reduz muito o número de doses aplicadas no rebanho. Pensa comigo: se eu trato todo mês todos os animais de um rebanho de 100 cabeças, eu gasto 100 doses por mês, ou seja, 1200 doses de antiparasitário por ano. Diversas propriedades que utilizam o tratamento seletivo não passam de 20 doses ao ano. Isso gera um impacto significativo no gasto com estes medicamentos, na segurança alimentar para humanos e na saúde ambiental, pois os antiparasitários se acumulam no ambiente e geram problemas no meio ambiente.

Por todos estes motivos, é muito importante que haja um acompanhamento da propriedade para garantir que os animais permaneçam saudáveis e sem prejuízo na eficácia dos medicamentos. E aqui entra a VETUS – Consultoria Veterinária Júnior. Nós oferecemos serviços de manejo sanitário dos animais focado na prevenção de doenças, fazemos exames coproparasitológico para diagnóstico, testes de eficácia de medicamentos em laboratório (para carrapatos e endoparasitos) e também fazemos análise de água para verificar se esta não pode ser a fonte de infecção dos animais.

Entre em contato conosco para saber mais!




Inara Regina Arnt Ramos

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